Encontro com os Catequistas na Paróquia Cristo... | Sal da Terra Luz do Mundo

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2016-02-11


Encontro com os Catequistas na Paróquia Cristo Rei


Ana Lúcia Vasconcelos


Encontro com os Catequistas na Paróquia Cristo Rei

 

 

O ultimo encontro de Dom Bruno com agentes de pastorais do primeiro Bloco da Forania Nossa Senhora do Rosário foi com os catequistas no dia 21 de junho de 2008, sábado das 17h às 19hs no Salão Paroquial da Paróquia Cristo Rei. O Cônego Luiz Carlos da Fonseca Magalhães, pároco, agradeceu a presença de todos especialmente de Dom Bruno que como sempre começou e reunião invocando o Espírito Santo e pedindo a intercessão de Maria Santíssimo, de São José e São Luiz Luis Gonzaga santo do dia.
Dom Bruno cumprimentou a todos e iniciou pedindo para se apresentarem os responsáveis pela catequese de crianças, preparação da Crisma, preparação de noivos, e catequese de adultos, ou seja, os catequistas que preparam para os três sacramentos. “Meus queridos irmãos e irmãs o trabalho de vocês é tão importante que na visita pastoral o bispo reserva uma tarde para conversar com vocês. Se não fosse tão importante estaria junto com outros trabalhos que são importantes também. Mas a importância da catequista, do catequista é muito grande. Por quê? Porque ela marca a vida das pessoas no caminho de Deus, dentro da Igreja. Vejam - todos vocês aqui tiveram uma catequista e eu quando vou lá para minha terra e faço missas solenes faço questão que minha catequista seja convidada, até hoje.”
“Aqui eu tenho a minha primeira professora que é a dona Zuleica Meirelles, que é da paróquia de São Benedito lá no centro e foi minha primeira professora de pré- primário e sempre que celebro lá e ela está presente, faço questão de dizer: esta senhora marcou a minha vida. Então vejam, temos professores na escola, mas temos também catequistas na Igreja de Deus Pai. Dai a importância de vocês. Por quê? Porque a palavra catequista vem de uma palavra grega cujo primeiro sentido significa ouvir, porque catequista vem de catecúmeno que significa aquele que ouve. Catequista então é aquele que faz ressoar a palavra. Então para que o catequista saiba fazer ressoar a palavra, a palavra tem que passar por onde? por ele, por ela. Então catequista não é um simples repetidor, mas alguém que experimentou Jesus Cristo e transmite a mensagem.”

 

“Eu gosto de fazer uma comparação com os profetas. Vocês pegam os profetas na Bíblia e, por exemplo, Amós, Oséias, Isaias, Jeremias. Quem era Jeremias, quando Deus o chamou? Ele era ainda uma criança, um mocinho, e era de uma família de pessoas de posse, tinham propriedades. E quem era Isaias? Isaias era um príncipe de Israel. E Oséias quem era? Era um apaixonado. Leiam o texto dele, era um poeta. Quem era Amós? Amós era um vaqueiro, ele conta a historia que quando o Senhor o chamou ele era um pastor de rebanhos. Então se a gente for colocar os quatro: vamos fazer uma comparação- vamos pegar quatro xícaras e a mesma água sendo que numa colocamos café, noutra chocolate, noutra chá mate, e noutro chá de hortelã. E ai? É a mesma água, mas passou no chocolate faz o que? chocolate. Passou no café saiu café, no chá mate saiu chá mate e no de hortelã saiu chá de hortelã. Ou seja, as pessoas são diferentes e a palavra de Deus é a mesma água, mas a experiência é diferente. Você vai ver Amós, e ele é o primeiro escritor dos antigos profetas, você vai ver que a linguagem de um vaqueiro. Já Oséias é a linguagem de um apaixonado. Você vai ver Jeremias é a linguagem de uma pessoa culta, você vai ver Isaias é a linguagem de uma pessoa nobre.” 
“Assim também é a nossa experiência - cada um de nós tem a sua vida, e Deus joga a sua graça e sai diferente. Se tivesse outro bispo aqui ele estaria falando de modo diferente. Vocês como catequistas falam de modo diferente um do outro porque vocês colocam a sua vida. Eu contei a história da minha catequista, contei a história da Zuleica, é a minha história. Então quando a palavra de Deus passa por vocês ela atravessa sua história, a sua experiência, por que senão fica como repetição de noções. Eu tive um professor, padre muito sábio, professor de História da Igreja lá em Curitiba, um alemão que dizia: ‘ vocês quando forem padres pelo amor de Deus tenham muito cuidado com a catequese, muito cuidado com os catequistas, muito amor pela catequese, porque eu quando fiz a minha aprendi que Deus é um Espírito Perfeitissimo, Eterno, Criador do Céu e da Terra. Meu pai não era lá muito de igreja e então um dia ele me perguntou o que eu fui fazer. Eu disse: eu fui à igreja. Ah é! E o que você aprendeu lá. Eu aprendi quem é Deus. E quem é Deus ele disse. Eu respondi aquilo que eu aprendi. Meu pai disse e daí? E daí o pai que não era de igreja começou a falar da experiência dele de Deus.”
“E daí está errado dizer que Deus é um Espírito Perfeitissimo, Eterno, Criador do Céu e da Terra? Não, está certo, certíssimo, mas faltava o que? A experiência de fé. Interessante que em Israel- e nossa experiência de fé vem da fé de Israel, que passa pela historia do povo judeu - na noite da Páscoa o filho, o menor deve perguntar ao pai. ‘Pai por que esta noite é diferente de todas as outras noites. ’ ‘Por que esta noite, diz o pai, lembra a nossa saída do Egito. Nós éramos escravos do Egito e Deus nos libertou’. Ele não fala: os nossos ancestrais, ele diz nós, o nosso povo era escravo do Egito e o Senhor nos libertou. Ele conta a história da Páscoa. Então o catequista é aquele que passa a experiência de vida aos seus catequisandos. É claro que vai passar noção- vai ensinar os sete sacramentos tem que ensinar os sete sacramentos, vai ensinar os dez mandamentos sim vai ensiná-los, vai ensinar as três virtudes-Fé, Esperança e Caridade, vai ensinar as três virtudes. Vai passar as noções, lógico, mas o catequista vai ter que passar a experiência por que senão fica apenas uma noção vaga. Por isso é muito importante que ele não fale da vida dele, mas deixe a palavra de Deus questionar sua vida para que, no momento que ele estiver ajudando seus catequisandos, ou jovens ou adultos, ou pais que estão preparando seus filhos para o Batismo ou para o casamento, as pessoas sintam que estão conversando com gente que experimentou Deus.”

O exemplo dos profetas

 

“Por isso vejam meus queridos irmãos e irmãs este exemplo dos profetas. Deus passou na vida dos profetas e eles agora então falam a palavra de Deus passando pela sua experiência, passando por um filtro que é a sua própria vida. Vocês também têm que fazer isso. Qual é a diferença de Jesus e dos escribas? Os escribas ensinavam errado? Não, Jesus tem até um testemunho bonito a respeito dos fariseus. Ele fala ‘os fariseus tomaram conta da cátedra de Moisés, o que eles diziam está certo, só que eles não fazem. Vocês escutem o que eles falam, mas não façam o que eles fazem. ’Hoje nós ainda temos gente pior que os fariseus, e gente que não é nada, porque ensina errado. Os fariseus pelo menos ensinavam certo, o próprio Jesus fala isso, mas aconselha seus discípulos não fazer o que eles faziam.”
“Então se esta experiência que Jesus fala dos fariseus e dos escribas é importante qual seria a diferença dele e dos escribas e fariseus? Você lê o capitulo 7 de Mateus quando Jesus encerra o Sermão da Montanha: ‘ as pessoas ficavam admiradas por que Jesus ensinava com autoridade e não como os escribas’.Qual é a autoridade da palavra? Você viver a palavra. A primeira pessoa que deve ser questionada pela palavra que está sendo proclamada é a mesma que proclama. Por quê? Porque a minha palavra está mais perto do meu ouvido do que de vocês. Assim também vocês. Por isso o primeiro livro que todo catequista precisa conhecer é a Bíblia, a Palavra de Deus. Por isso fizemos o monumento da Fé nesta comemoração dos cem anos da arquidiocese de Campinas e imprimimos cem mil Bíblias O primeiro livro que nos ajuda a fazer catequese é a Bíblia, a Bíblia é fundamental na catequese. Assim as crianças já devem ter aquela experiência com a palavra de Deus, procurar o texto, achar o texto, saber se é Antigo ou Novo Testamento, por quê? Por que aquela palavra tem a experiência do povo, experiência de pessoas.”
“Vamos ver um pouco o Evangelho de João- João diz assim: ‘estas coisas foram escritas para que nós creiamos, mas eu penso que tivéssemos que escrever todas as coisas que Jesus fez e Jesus fez outras coisas que não estão escritas nesse livro, no mundo não haveria lugar para todos os livros que deveriam ser escritos’. Por que João escreveu isso? Quer dizer é uma comparação agigantada- porque seria preciso escrever o que Deus fez em cada um de nós, a experiência de cada um de nós. E esta é a experiência verdadeira da catequese, daquele que ouviu a palavra de Deus, que se deixou questionar pela palavra e aquela palavra sai com a vida da pessoa. Então isso é muito importante, por que se fossemos escrever os livros que deveriam ser escritos não haveria lugar no mundo. Mas este exagero de João é verdadeiro- não haveria lugar no mundo para tantos livros.”
“Uma vez uma pessoa perguntou para mim: ‘Dom Buno, lá no céu o que a gente vai fazer o resto da eternidade? ’ Eu disse vai passar a vida de cada um, cada dia passa a vida de um e conforme a vida está lá: proibido para menores de 18 anos (risadas gerais) ai só podem entrar anjos bem velhinhos. É brincadeira, mas a historia de cada um é uma história da salvação. Santo Agostinho que fala isso e é muito bonito, que ele não tem vergonha de contar os seus pecados. Por quê? Porque a graça de Deus foi uma luz tão grande que ilumina toda sua história que ele pode reconhecer que a graça de Deus é muito maior que seus pecados. É aquilo que Paulo fala: ‘onde abundou o pecado, superabundou a graça’. Mas então vamos voltar : o primeiro livro que todo o catequista tem que ter e conhecer é a Bíblia.Conhecer, a gente diz, as chaves da leitura bíblica.E o que são chaves de leitura bíblica? Você vai ler João vai perceber que seu Evangelho é diferente de Marcos.Marcos, Lucas e Mateus são os Evangelhos sinóticos, mas Marcos tem uma vitalidade diferente de Mateus e diferente de Lucas.São chaves que devem ser estudadas e por isso os catequistas devem sempre estar sendo formados. Por isso os nossos padres devem sempre treinar os ministros da Eucaristia e os ministros da palavra, porque eles vão distribuir esta palavra assim como os ministros das exéquias , vocês imaginem?”
“Com a graça de Deus começamos aqui este ano na nossa arquidiocese uma Escola de Coordenadores de catequese, é pequena tem quarenta vagas, mas o padre Eugenio Pessato que é nosso assessor da catequese começou e nos disse- ‘não é uma escola de catequistas, isso tem que ser na paróquia, na Forania, já que a Diocese não tem condições de fazer uma escola para todo mundo’. Mas a Forania esta oferecendo uma Escola de Teologia que fica na Igreja Nossa Senhora do Rosário e quando estivemos lá outro dia para a visita pastoral conheci um padre que veio de Curitiba para dar aulas. Então é um trabalho bonito porque conhecer a palavra de Deus é muito importante porque às vezes as crianças ou jovens ou adultos mesmo, nos colocam perguntas que às vezes não sabemos responder, temos que procurar. Daí que ter o traquejo da palavra de Deus ajuda muito.”
“E para isso tem um segundo livro que é muito importante que é o Catecismo da Igreja Católica. Há tempo apareceu uma pessoa lá em casa dizendo: seu bispo eu tenho que dar uma palestra, o padre pediu para dar uma palestra para os catequistas e nós estamos dividindo os temas e estudando. Eu disse, mas o padre não pode dizer os livros ele pode indicar uma bibliografia simples? Bom, mas enfim qual é o assunto? Então fui pegar o Catecismo, mostrei e a pessoa disse: ‘nossa seu bispo, mas está tudo ai, que coisa linda, que livro é este? ’ Catecismo da Igreja Católica. Ele: ‘Mas eu tenho este livro ‘. (mais risadas). Mas ele fica lá na estante você nem sabe o que tem dentro.”

Catecismo da Igreja Católica é importante

“O Catecismo não é para ser dado, assim por temas, jogar em cima da criança os temas. Se quiser dar um resumo tem até resumo, e é muito bom ter isso. Um dia uma senhora me perguntou no telefone: seu bispo quais são as sete obras da misericórdia? Eu respondi você tem o livro ai então veja na pagina tal e tem lá as obras de misericórdia. E a pessoa ficou toda contente, porque uma criança me perguntou e eu não sabia. Então o que tem que fazer? Daí que o Catecismo da Igreja Católica é muito importante porque a primeira parte é a Fé e o Creio que é analisado artigo por artigo. Depois tem os mandamentos, depois os sete sacramentos e depois a oração do Pai Nosso. Então ele nos ajuda muito e é necessário que a gente quando tiver um tempo para ler, leiamos o Catecismo. Estou lendo junto com o Carlos (Carlos Roberto dos Santos, coordenador da Comunidade Católica de Aliança “Jesus te Ama” naquele programa de rádio que eles têm (a transmissão acontece aos domingos das 8h as 9.30h na rádio Brasil AM 1270khz e das 10.30h às 12h na rádio Nova Sumaré AM 832khz), o Catecismo, sem pretensão nenhuma, todas as manhãs de domingo durante quinze minutos e já faz oito anos e vamos explicando. Já estamos agora no sacramento da Crisma e lembrando a importância do Catecismo da Igreja Católica.”
“Portanto a Bíblia, Catecismo e o terceiro livro importante: Diretrizes Gerais ou Diretório Geral da Catequese do Brasil. O Diretório que saiu agora, fazem dois anos e que seria muito importante estudar na própria paróquia, são diretrizes para trabalharmos a catequese na nossa paróquia. Por que as vezes a gente quer desenvolver uma metodologia e não sabe como fazer.E este livro ajuda a gente nisso. Então os três grandes livros: a Bíblia, o conhecimento da palavra de Deus, o segundo por questão de competência o Catecismo senão não teremos a competência. São Jerônimo chega a dizer que Deus vai perdoar todos os nossos pecados, nós que nos dedicamos ao ensino, menos o desconhecimento da palavra porque Ele escreveu uma carta que é a palavra de Deus.Mas se nós deixarmos guardada ai não pode.“’
“O Catecismo é tão lindo, quando a gente começa ler, e não é uma coisa difícil não, os exemplos dos santos que tem lá que coisa maravilhosa. Quando ele fala sobre a graça de Deus há perguntas que os inquisidores fizeram a Santa Joana d’ Arc-aquela mocinha que tinha dezessete anos: você tem certeza que está na graça de Deus ou não está. Ela pensou ‘bom se eu disser que tenho certeza que estou na graça de Deus é presunção e se eu disser que não estou na graça de Deus então vão dizer que sou uma bruxa mesmo’. Então ela disse: ‘Se eu não estiver na graça de Deus que Ele tenha piedade de mim, me perdoe e me coloque imediatamente na sua graça porque sem ela não posso viver e se eu estiver em graça que ele me conserve’. Olha a resposta desta jovem. E lá no Catecismo tem muito disso: um texto, depois a palavra de um santo ou a explicação dos grandes teólogos da igreja, da tradição antiga da igreja, os textos de São Crisóstomo tanta coisa bonita, resumido, é claro, porque o que nós temos é tanta coisa, que beleza!”
“Então estes três livros vão nos ajudar e a todos aqueles que caminham conosco um verdadeiro caminho da fé. A catequese é uma catequese continuada porque a gente brinca: todos estamos na Escola de Jesus e a Escola de Jesus, alguns estão mais adiantados, outros menos, desde o Joseph Ratzinger até a criança que está começando agora. Por isso é preciso ressaltar ainda a importância da escola e da família na vida das crianças. E outra coisa importante: vamos convidar as famílias para as missas, participação, mas não vamos colocar nas costas das crianças um peso que elas não podem carregar, ou seja, obrigá-las a trazer os pais. Dai a importância e já tenho falado isso em reuniões, da organização da catequese. Ela deve ser organizada, mas a organização não pode matar o espírito. E o que é organização que mata o espírito? Tem que ser daquele jeito-as inscrições abrem dia 10 de janeiro e fecham dia 15 de fevereiro. Quem não veio neste período tchau e benção. É bom que tenha isso, mas se a pessoa chegou depois do dia 15 de fevereiro? Ah mas chegou muito tarde, chegou em março !Tem que ter outro catequista , alguém que se disponha, porque a pessoa está procurando a igreja.E também tem outra coisa: não podemos esquecer que Campinas tem muita gente de fora.Quantos de vocês nasceram em Campinas,mais uma vez levantem as mãozinhas.Olha ai ta vendo? (E na verdade tem mais gente de fora naquela reunião do que de Campinas).Olha ai, e se você veio de fora você veio com sua família.Mas você chegou de fora com sua família...eu gosto de fazer uma brincadeira. Aqui vocês estão num lugar que não é o caso, mas em paróquias de periferia a família chega inteira e não tem data certa para mudar- muda em janeiro, março, agosto.”
“E ai eu digo assim: tinha uma família que morava longe e vem para Campinas. O pai participava da igreja, a mãe era coordenadora de comunidade, o rapaz estava se preparando para a Crisma, a outra para a primeira Eucaristia, a outra pequeninha estava nos pequeninos do Senhor e então arranjaram uma casa e o pai disse então: ‘ olha estou arrumando trabalho, mas nós vamos à igreja para inscrever vocês na catequese. ’ Então lá foi a família toda para a igreja. E ai vocês me ajudam porque a família vai cantando: ‘Queremos ver Jesus queremos, ele é o caminho a verdade a vida, queremos ver Jesus, Jesus!vamos lá ( e todos cantam novamente a musica).Eles estão chegando na igreja eufóricos e ai chegaram e a secretaria está sentada com o telefone pendurado, fazendo unhas, sei lá , estava escrevendo.E ai era mês de junho então ele disse: ‘ eu sou fulano, somos católicos eu era ministro da Eucaristia lá no Paraná, esta é minha esposa ela era coordenadora de comunidade, este moço aqui ó está se preparando para a Crisma, esta menina aqui está se preparando para a primeira Eucaristia e esta pequena aqui está nos pequeninos do Senhor e a gente queria inscrevê-los na catequese!’(Pausa) .Ai a secretaria seriamente responde:’ fecharam as inscrições.’
“E ai a família volta para casa e então o que eles vão cantar? ‘Nóis queria ver Jesus, queria (risadas)... mas esta igreja não deixou a gente ver... ’ Ah. Dom Bruno, mas o senhor esta colocando uma coisa impossível. É possível sim. Nós temos que organizar nossa catequese de tal maneira que tenha: primeiro um grupo de catequistas que acolham as pessoas que chegaram à época certa. Outro grupo que acolha os que vieram fora de hora. Fora de hora para nós! Mas para eles está na hora- mudaram para cá ou senão ficaram sabendo depois, ou vieram de outra comunidade. E ai ainda haveria um terceiro grupo e então começaria a igreja missionária. ‘Ide pelo mundo todo e pregai o Evangelho. ’Onde é o mundo todo? A nossa paróquia. As ruas daqui da paróquia Cristo Rei, visitar as famílias, perguntar se têm jovens: vocês são católicos, vocês têm jovens que queiram fazer a preparação da Crisma, ou tem crianças para o Batismo?
O COMLA 5 (Congresso Missionário Latino Americano ) que aconteceu em Belo Horizonte em 1995 dizia assim: ‘ Ou a Igreja é missionária ou não é Igreja de Jesus Cristo ’. Se nós não somos acolhedores nem para aqueles que nos procuram porque vem fora de hora, então que igreja missionária é esta?Então vocês vão pensar: Ah. Dom Bruno quer que bagunce tudo!Não eu quero que organizem muito bem, mas quero que também se possa acolher a todos. Então aqueles que vêm na hora de inscrição que vocês marcaram tudo bem, inscreve, mas não vamos deixar de acolher as pessoas que nos procuram fora de hora. E ainda: os catequistas de adultos- porque às vezes Deus pode chamar uma pessoa através do casamento. Eu tenho orientado muitas vezes a família do noivo ou da noiva- porque às vezes um ou outro não é muito de igreja, vem somente com aquela namorada. Mas ai a gente pergunta: você não comunga e então a pessoa diz que ainda não fez primeira comunhão. E aqui entram os responsáveis pelos adultos. E isso precisamos ver bem porque as vezes sabemos só trabalhar em grupos e não individualmente.”
“E agora vou citar o padre Bush de novo: ele introduziu na paróquia Nossa Senhora das Dores uma coisa muito interessante que é o seguinte: para a Crisma cada catequizando tem um catequista, porque isso exige preparação. Eles têm algumas reuniões juntos, mas os catequizandos adultos são ajudados pelos catequistas que são chamados Introdutores aos Mistérios da Fé. Para isso é preciso animar a comunidade, precisamos contar com as forças vivas da paróquia e é um trabalho muito dinâmico. É aquilo que Jesus falava no domingo passado quando ele dizia aos seus discípulos: ‘Ide primeiro as ovelhas perdidas da Casa de Israel. Vocês não devem ir aos pagãos, vão primeiro as ovelhas perdidas’. Quantos católicos temos que poderiam nos ajudar e estão ai sem fazer nada, fica ai a tarde sem ter o que fazer, vai jogar bingo, não dá sentido á sua vida!Então é muito importante que os catequistas se organizem na paróquia de tal forma que a gente acolha as pessoas que nos vem procurar e dar um outro passo: ir ao encontro daqueles que não nos procuram.”
“Por que quando Jesus no final do Evangelho de Mateus disse assim - podem ler: ‘Agora eu vou para o Pai e vocês vão, cada um faz uma sacristia senta lá e fica esperando as pessoas. Aqueles que vierem na hora certa vocês acolham quem não vier na hora certa vocês mandam voltar no ano que vem. ’(risadas) Assim que termina o Evangelho de Mateus (mais risadas). Na verdade vocês sabem o Evangelho de Mateus acaba assim: ‘ Ide pelo mundo todo, proclamai o meu Evangelho a toda a criatura. Aquele que crer e for batizado será salvo , quem não crer será condenado e estarei convosco todos os dias até o fim do mundo.’Hoje meus irmãos começam a acontecer coisas na catequese para as quais precisamos estar atentos. ”
“Por exemplo, vocês convidam a família, devem convidar, mas às vezes o pai daquela criança não é pai dela- é  marido da mãe daquela criança, por que hoje em dia temos maneiras bem incomuns de família. Quando fizemos a visita pastoral no centro na paróquia Nossa Senhora do Carmo uma catequista me perguntou: ‘ Dom Bruno e quando eu convido a família de uma criança e ela diz: ‘Não vou poder trazer minha mãe porque meu pai mora com outro homem. ’ Ou então a criança diz: ‘ eu posso trazer a tia que mora com a minha mãe? ’E ai? Vejam como devemos estar preparados para as situações que vamos encontrar. Respondi para aquela catequista sim ela pode convidar e eles podem vir e tudo o mais. Mas ai ela contou que a criança disse que ela gosta deles, mas não é como se tivesse mãe, quer dizer uma família nos moldes normais. Então ela disse para a criança agisse de tal maneira que tudo o que ela puder fazer de bem ela fizesse.” 
“Claro-você não vai falar- seu pai é um... sua mãe é uma... não falo porque ela está gravando- (ele se refere ao meu gravador em cima da mesa dele e ai mais risadas). “Não é verdade? Quem trabalha com escola sabe que está acontecendo isso, na catequese e a gente sabe que não é esta a proposta do Evangelho, não é esta a proposta de Jesus Cristo, mas a gente respeita no sentido em que essas pessoas, vindo a Igreja vão ouvir o Evangelho. O chamado a conversão é para todos, para mim, para você, para qualquer um. Não temos que moldar o Evangelho a nossa vida, temos que moldar a nossa vida ao Evangelho. E deixar que o Evangelho nos questione porque se ele não nos questiona cada um vive como quiser. Mas então, concluindo temos que estar preparados para isso. Estes são os chamados casos difíceis não é e às vezes tem lá o pai e a mãe, mas a mãe tem três filhos, mas cada um de um pai. Outro dia fui a uma comunidade e havia lá um problema porque a catequista queria porque queria que os pais comungassem com a criança na primeira eucaristia-não tem condição, nem pode. Então é preciso saber como falar, como agir nesses casos.”

As duvidas dos catequistas


“Agora vamos fazer um pequeno cochicho, uma pessoa conversa” e sugere que pessoal se divida em grupos (e afinal foram nove grupos) para trocarem experiências e na sequência os catequistas colocam duvidas. A primeira pergunta de uma das catequistas é sobre um casal onde um dos parceiros é católico e outro não “Nossa preocupação é a seguinte: como é a continuação disso, será que houve conversão, porque não mudamos a preparação, o curso continuou sendo o mesmo de sempre.”
Dom Bruno responde: “Então veja- você colocou duas questões: primeiro existe uma preparação para o sacramento e esta preparação é para a vida. Eu fico muito preocupado não só com a questão do casamento e como você coloca é sem duvida mais preocupante, mas mesmo para a primeira Eucaristia porque a pessoa acha que está bom, já recebeu o diploma e tudo bem. Por isso que precisamos descobrir uma maneira da celebração de tal forma que o final da preparação do Batismo não fique junto com o final do ano letivo, para não ficar parecido com encerramento de curso. Crisma, mesma coisa por quê? Em principio se falava: vocês foram preparados para este dia. Hoje eu falo: vocês foram preparados para hoje receberem o sacramento da Crisma para viverem como cristãos. O caso que você levanta é do casamento- a preparação para os noivos é uma coisa muito importante, deve ser feita com muita seriedade. Quando um casal vai casar na igreja católica a outra parte deve saber quais os compromissos que assume. E ai vai ser o padre que vai conversar com ela- não é a secretaria, nem o catequista porque essas questões envolvem a figura do pastor daquela paróquia que é o padre. Mas o seu questionamento permanece porque nós estamos fazendo o casamento, mas não estamos dando sequência. Ai entraria a pastoral familiar, que vai ajudar essas pessoas a se integrarem na fé. Há pessoas que vivem muito bem com respeito um ao outro. Interessante que há pouco tempo atrás o Tony Blair se converteu a Igreja Católica. O Tony Blair levava a esposa à igreja católica e ia à igreja anglicana. Depois voltava pegava a esposa e iam para casa. Quer dizer é um homem de fé, porque ele ficou conhecido certo, daí a citação dele? Mas ele se converteu, e ai acredito, que a esposa deu exemplo e tudo o mais. É como São Paulo diz: que a esposa converta o marido e o marido converta a esposa.Sem duvida este questionamento é valido mas não deve ser respondido profissionalmente.”
Outra questão colocada é sobre preparação de crianças para o batismo sendo elas de família de outras religiões e até mesmo judeus. O que fazer para saber como isso terá continuidade e como fazer nesses casos?Dom Bruno diz que nesses casos têm que haver um acompanhamento pessoal, personalizado mesmo, pessoas que acompanhem o crescimento na fé desses que pedem o batismo. “Porque vamos ver o que dizem as palavras do Batismo: ‘ o que pedis à Igreja de Deus? A fé’. O que a fé: a vida eterna. O que quer dizer a vida eterna? Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração e ao próximo como a ti mesmo. Este é o caminho da vida eterna. Este é o primeiro dialogo do batismo. Então a pessoa e está pedindo a fé e nós, com a nossa experiência vamos passar a fé que recebemos dos apóstolos para esses nossos irmãos. Então veja como de fato a coisa se torna muito séria porque é questão da vida. O justo viverá de fé. ”

Adultos não casados na Igreja


Outra pergunta que foi colocada foi sobre adultos não casados na igreja e tem muitas duvidas sobre o que é pecado ou não, eles questionam isso dizendo: mas eu confesso direto com Deus. Dom Bruno responde que neste caso há a mediação da igreja, porque se formos ver bem, lógico que seria mais fácil fazer isso: eu confesso diretamente com Deus. “Mas não foi isso que Jesus falou e é interessante que a mediação que Cristo quis dar a Igreja é impressionante porque ele disse: ‘onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome estarei com eles’. É preciso aqui nesses casos mostrar que o sacramento é sacramento da igreja-voce confessa diretamente com Deus, mas vai receber a Crisma diretamente com Deus, ai não há problema. Mas isso não é a nossa fé. Então é preciso mostrar que a fé passa pela mediação da Igreja e isso foi querido por Jesus Cristo. Se ele quis isso este é o caminho que ele quis mostrar. E mostrar que Jesus é o Sacramento do Pai, quem me vê, vê meu Pai, quem se encontra com as pessoas reunidas se encontra com Jesus Cristo, olha a importância do testemunho e a Igreja que tem os sacramentos: o Batismo, Crisma, Eucaristia, a Iniciação, o Casamento e ai de fato é necessário perder tempo com essas pessoas no sentido não de querer convencê-las, mas mostrar a importância da Igreja como uma comunidade de irmãos que seguem os passos de Jesus.Ou seja, não vamos contestá-los mas mostrar a beleza e a riqueza da vida cristã.”
Para outras questões levantadas que se referem a detalhes de comportamento das crianças- que são levadas pelos pais e uma carência de reuniões de catequistas mais frequentes, Dom Bruno os aconselha a convidarem o padre Eugenio da igreja Nossa Senhora Aparecida que é o coordenador da catequese e algumas Irmãs da instituição Canossiana que podem ajudar.“É que justamente isso que o padre Eugenio tem procurado fazer - uma integração da catequese de toda a Forania”. Outra questão é sobre o período menor possível para a catequese: pessoas que os procuram querendo uma preparação rápida. Não seria bom, perguntam uma padronização neste quesito?
“Uma coisa é unidade, diz dom Bruno e outra é uniformidade do trabalho. A unidade é boa, a uniformidade é má porque vocês querem colocar todo mundo na mesma forma. Vocês conhecem a história da cama de Procusto, um mito grego? Então o Procusto era um homem muito bom ele recebia todo mundo na casa dele. Só que ele só tinha uma cama e ai se a pessoa fosse pequena ele esticava a pessoa até ela ficar do tamanho da cama e se ela fosse maior, ele cortava partes para ficar certinho na cama. Este mito explica justamente quando a gente quer uniformizar as coisas - quer dizer uma cama que todo mundo tem que se encaixar nela. Este não é o caminho. O caminho é justamente a unidade, porque as pessoas são diferentes. Quando tenho alguns casamentos bem estranhos em que a pessoa chega e me diz: ‘ a gente queria fazer o casamento numa relva, ele ficava me esperando e ai eu chego na carruagem já tenho os quatro cavalos brancos’ eu digo vocês não participam da igreja não é?(Risadas) Porque uma pessoa que tem esses pensamentos não participa da igreja e ai que a gente vai começar a conversar.Porque isso é mais novelesco do que outra coisa não faz parte dos ritos da Igreja. ”
“Então eu acredito que nós precisamos dar alguns passos em busca desta unidade e a visita pastoral está sendo boa para isso porque todos os catequistas estão conversando com o bispo e o que vocês estão colocando não são restritos a vocês. Por isso estou pedindo aos padres que acompanhem os encontros porque eles estando junto com vocês que fizeram aqueles relatórios que vieram as minhas mãos. A partir daí eu penso que gente vai conseguir delinear um pouco. Agora atenção: unidade não significa uniformidade. Se tivermos uma uniformidade não daremos espaço para o Espírito Santo agir inspirar coisas novas. Às vezes não fazemos coisas inspiradas, mas resolvemos de qualquer maneira e não é isso.”
Outra questão colocada foi das “crianças difíceis”, irrequietas- o que fazer? Ele responde que para elas é preciso ter paciência. “Se vocês não tiverem paciência com crianças assim vocês podem perder um bispo, de repente, por que eu fui um capeta. O que temos que fazer? Semear a semente, porque se da terra boa não nascer a boa semente vai nascer mato. Precisamos então nos esforçar para semear a boa semente porque certa vez falando sobre isso para pessoas simples no campo eu disse: porque se não nascer não nasce nada, um senhor respondeu: ‘não seu bispo, nasce mato.’Então não podemos desperdiçar a semente que é a Palavra de Deus, precisamos conhecer a Eucaristia, já que ela é a fonte da vida cristã e fazer da catequese uma coisa lúdica, não mais uma escola para dar as crianças e adultos, mas uma preparação que dê o gosto da palavra de Deus.”
Dom Bruno terminou agradecendo a presença de todos e convidando para um lanche e fechou o encontro com uma benção. Em seguida celebrou a Santa Missa na paróquia Cristo Rei.

 

Homilia de dom Bruno
na missa do dia 21

 

Dom Bruno iniciou sua fala saudando a todos que estão acompanhando a visita pastoral a Forania Nossa Senhora do Rosário e contou seu roteiro desde o ano de 2007, quando visitou as paróquias de Valinhos, Vinhedo, Monte Mor, Elias Fausto, Sumaré, Hortolândia e Paulínia e agora desde o inicio do ano de 2008, quando tem ido às paróquias da cidade de Campinas. Falou ainda da alegria que sentia em falar com os irmãos leigos e com seus queridos padres que o tem acompanhado nas diversas comunidades e todos os irmãos e irmãs dos diversos ministérios que tem também estado presentes e da importância deste momento. Continua dizendo que naquele dia à tarde, das 17h às 19h estivera com os catequistas ali no Salão Paroquial da igreja de Cristo Rei registrando o trabalho maravilhoso que fazem que é o anuncio da palavra de Deus através da sua experiência de vida, da sua experiência com o contato com a palavra de Deus.

“E hoje a palavra de Deus nos fala justamente disso: não tenhamos medo de anunciar o Evangelho, de sermos seguidores de Jesus Cristo, mesmo com a perseguição. E a primeira leitura é o profeta Jeremias que dá testemunho dizendo que ele foi perseguido: ‘vamos persegui-lo, vamos matá-lo’. ‘Mas eu coloquei no Senhor a minha confiança. ’ Depois Jesus Cristo vem no Evangelho e diz: ‘não tenham medo daqueles que matam o corpo, mas nada podem fazer a alma’. Isso porque Deus toma conta de nós de tal maneira que até os cabelos de nossa cabeça estão contados. Como Deus nos ama! E na segunda leitura São Paulo faz uma grande revelação: por que o mal entrou no mundo? O mal entrou no mundo por causa do pecado. O pecado é a desgraça, mas se a desgraça entrou no mundo pelo pecado a graça entrou no mundo por Jesus Cristo. Por isso meus irmãos, é muito importante que percebamos uma coisa - também nós, como São Paulo diz, pecamos, fomos também mordidos, picados pela serpente do mal.E carregamos dentro de nós as consequências do pecado.Quantas vezes nos descobrimos com pensamentos de vingança com desejos terríveis.Nós somos capazes de muita maldade e graças a Deus Ele tem nos segurado porque senão nós somos capazes de fazer coisas que as vezes lemos nos jornais, vemos na televisão e ficamos abismados.Mas sabendo que Deus nos conhece como filhos e como filhas, sabendo que por nós morreu Jesus Cristo na cruz, nós podemos anunciar no mundo o perdão.Para que nos sintamos amados por Deus, levantados dos nossos pecados , das nossas imundícias pelo próprio Deus.Quando no Creio rezamos: desceu a mansão dos mortos isso significa que Deus desce até o mais profundo das nossas almas e pelo batismo começamos a viver uma vida nova.”Termina dizendo que é isso que devemos anunciar: “que há um só Senhor que é Jesus Cristo e daí que o cristão deve ser sinal no mundo, sinal de perdão e de misericórdia.”

 

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